A Binance e a Franklin Templeton anunciara a criação de um programa institucional de garantias fora da plataforma (off-exchange) que permite a utilização de fundos tokenizados do mercado monetário como colateral em operações na exchange, sem que os ativos precisem permanecer dentro da corretora.
O programa tem como objetivo reduzir o risco de contraparte — um dos principais pontos de atenção para investidores institucionais que atuam em mercados digitais — ao permitir que os ativos utilizados como garantia permaneçam sob custódia regulada fora do ambiente da exchange.
Como funciona o novo modelo
O programa permite que clientes elegíveis utilizem ações tokenizadas de fundos de mercado monetário emitidas pela plataforma Benji, da Franklin Templeton, como garantia para negociar na Binance.
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Esses ativos permanecem fora da exchange, em ambiente de custódia regulamentado, enquanto seu valor é espelhado no sistema de negociação da corretora.
Na prática, isso significa que a instituição pode:
- Manter seus ativos em custódia regulada;
- Continuar recebendo rendimento típico de fundos de mercado monetário;
- Utilizar esses ativos como colateral para operações em cripto;
- Reduzir exposição ao risco operacional de manter recursos diretamente na exchange.
Tal modelo busca resolver uma limitação histórica do mercado institucional: a necessidade de transferir ativos para dentro da corretora para fins de margem ou garantia, aumentando a exposição ao risco de custódia e contraparte.
Custódia fica a cargo da Ceffu
A infraestrutura de custódia e liquidação do programa conta com suporte da Ceffu, parceira institucional da Binance especializada em soluções de custódia de ativos digitais. A entidade responsável pela guarda dos ativos tokenizados é a Ceffu Custody FZE, licenciada e supervisionada em Dubai.
Segundo Ian Loh, CEO da Ceffu, o modelo atende à crescente demanda institucional por estruturas que priorizem gestão de risco sem comprometer eficiência de capital.
A empresa informa que sua infraestrutura conta com certificações ISO 27001 e 27701, além de atestado SOC 2 Tipo 2, utilizando tecnologia de computação multipartidária (MPC) e esquemas de multiaprovação para proteção de ativos.
Tokenização de ativos tradicionais
A parceria amplia a colaboração estratégica iniciada entre Binance e Franklin Templeton em setembro de 2025. A iniciativa reforça uma tendência crescente no setor financeiro: a tokenização de ativos reais (RWA, na sigla em inglês), especialmente instrumentos conservadores como fundos de mercado monetário.
Roger Bayston, chefe de ativos digitais da Franklin Templeton, afirmou que o programa foi desenhado para permitir que instituições coloquem seus ativos para trabalhar em ambiente regulado enquanto participam dos mercados digitais.
Do lado da Binance, Catherine Chen, responsável pela área VIP e institucional, destacou que a oferta de ativos reais tokenizados como garantia é um passo natural na aproximação entre finanças tradicionais e blockchain.
“A parceria com a Franklin Templeton para oferecer ativos reais tokenizados para liquidação de garantias fora da exchange é um próximo passo natural em nossa missão de aproximar os ativos digitais das finanças tradicionais”, Catherine Chen
Demanda institucional por colateral estável e rentável
O lançamento ocorre enquanto investidores institucionais buscam alternativas de colateral que combinem três características centrais:
- Estabilidade;
- Rendimento;
- Liquidação contínua (24/7).
Fundos de mercado monetário são tradicionalmente utilizados como instrumentos de preservação de capital e gestão de caixa. Ao serem tokenizados e integrados a infraestruturas cripto, passam a funcionar como ponte entre o sistema financeiro tradicional e o ecossistema digital.
A Franklin Templeton, que administra mais de US$ 1,7 trilhão em ativos sob gestão (dados de 31 de janeiro de 2026), vem expandindo sua atuação em ativos digitais desde 2018, com foco em tokenomics, ciência de dados e infraestrutura blockchain.
Movimento estratégico em meio à profissionalização do mercado
A Binance, que afirma ter mais de 300 milhões de usuários globalmente, tem intensificado esforços para atrair clientes institucionais por meio de soluções de custódia segregada, garantias externas e integração com ativos regulados.
O modelo off-exchange é visto como uma evolução estrutural do mercado, aproximando a arquitetura cripto das práticas tradicionais de gestão de risco já consolidadas no mercado financeiro.
Ao permitir que o colateral permaneça fora da exchange, sob supervisão regulatória, o programa reduz riscos associados a insolvência, congelamento de saques ou eventos operacionais — fatores que historicamente afastaram parte do capital institucional do setor.
O que muda para o mercado
Com a integração entre tokenização de fundos de mercado monetário e negociação em criptomoedas:
- Instituições podem otimizar capital;
- A exposição direta a exchanges é reduzida;
- O risco de contraparte passa a ser mitigado estruturalmente;
- A interoperabilidade entre finanças tradicionais e digitais avança.
A iniciativa reforça a consolidação de um novo estágio do mercado de ativos digitais, no qual a infraestrutura, a regulação e a gestão de risco passam a ser tão relevantes quanto o volume de negociação.
A tendência indica que, à medida que produtos tokenizados regulados ganham escala, o mercado cripto pode se integrar de forma mais profunda ao sistema financeiro global — não apenas como alternativa especulativa, mas como camada operacional complementar.
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