Brasil, janeiro de 2026 – As criptomoedas surgiram oficialmente em 2008, em meio à crise financeira global, com a publicação de um artigo assinado pelo pseudônimo Satoshi Nakamoto, no qual foi descrito o funcionamento do Bitcoin, uma moeda digital descentralizada. Em janeiro de 2009, a mineração do primeiro bloco da rede, conhecido como genesis block, marcou o início de um sistema financeiro baseado em código, criptografia e consenso distribuído, sem a necessidade de bancos ou outros intermediários.
A proposta do Bitcoin foi concebida como resposta às fragilidades observadas no sistema financeiro tradicional, oferecendo uma alternativa estruturada em transparência, autonomia e resistência à censura. A partir desse modelo, novas criptomoedas e blockchains passaram a ser desenvolvidas, ampliando o conceito original e dando origem a um ecossistema global que atualmente movimenta trilhões de dólares e exerce influência sobre os setores financeiro, tecnológico e regulatório.
“Impulsionadas pelo avanço da tecnologia digital e pela busca por maior autonomia financeira, as criptomoedas deixaram de ser um tema restrito a círculos técnicos, como eram no passado, e passaram a ocupar posição relevante nos debates econômicos, regulatórios e sociais. Ainda assim, persistem dúvidas importantes sobre o funcionamento desse mercado, seus riscos e suas aplicações práticas”, afirma Cleverson Pereira, head educacional da OnilX, exchange brasileira especializada em soluções de pagamento, assessoria e educação financeira.
Com o avanço da regulação em diversos países, o aumento da adoção institucional e a integração com tecnologias como inteligência artificial e tokenização de ativos reais, o mercado de criptomoedas passa por um processo de amadurecimento. Para Cleverson Pereira, “compreender o funcionamento desses ativos representa não apenas uma decisão financeira, mas também uma forma de acompanhar as transformações estruturais que impactam o futuro da economia global”.
Para auxiliar quem quer investir, mas não sabe por onde começar, o especialista reuniu os principais conceitos relacionados ao mercado de ativos digitais em um guia introdutório que você confere abaixo.
O que são criptomoedas
Criptomoedas são ativos digitais que utilizam criptografia para assegurar a integridade das transações e o controle da emissão de novas unidades. Diferentemente das moedas fiduciárias, não são emitidas nem reguladas por bancos centrais ou governos. Seu funcionamento é baseado na tecnologia blockchain, um sistema descentralizado que registra as operações de forma pública e praticamente imutável. “A blockchain pode ser compreendida como um livro-caixa digital distribuído globalmente, no qual cada transação validada é incorporada a um registro coletivo, reduzindo a necessidade de intermediários e os riscos de fraude”, explica Pereira.
Para que servem as criptomoedas
Embora frequentemente associadas ao investimento financeiro, as criptomoedas possuem aplicações mais amplas. Entre elas estão transferências internacionais com menor custo, pagamentos digitais, execução de contratos inteligentes e suporte a sistemas de finanças descentralizadas (DeFi). Também são utilizadas em jogos digitais, tokens não fungíveis (NFTs), soluções de identidade digital e projetos ligados à inteligência artificial.
No último ano, o avanço do setor aproximou as moedas digitais do uso cotidiano, com a oferta de cartões que permitem pagamentos de compras do dia a dia, no Brasil e no exterior. Segundo o especialista, o principal valor do setor está na infraestrutura tecnológica que possibilita novas formas de interação econômica e digital. “No último ano, avançamos significativamente; hoje é possível pagar uma pizza ou abastecer o carro utilizando criptomoedas”, afirma.
Tipos de criptomoedas
O mercado de criptomoedas é composto por diferentes categorias de ativos: coins, altcoins, tokens e stablecoins. As coins são criptomoedas com blockchain própria, como Bitcoin e Ethereum. As altcoins abrangem moedas alternativas ao Bitcoin, muitas delas desenvolvidas para atender a demandas específicas, como maior escalabilidade ou eficiência nas transações. Já os tokens são criados dentro de blockchains existentes e podem ser utilizados para governança, acesso a serviços e aplicações diversas. As stablecoins, por sua vez, são atreladas a ativos estáveis, como o dólar, com o objetivo de reduzir a volatilidade e facilitar a integração entre o mercado tradicional e o digital.
Funcionamento do mercado cripto
O mercado de criptomoedas opera de forma contínua, 24 horas por dia, sete dias por semana. A volatilidade é uma de suas principais características, com variações expressivas de preço em curtos intervalos de tempo. “Esse comportamento é influenciado por fatores como oferta e demanda, evolução tecnológica dos projetos, ambiente regulatório e participação de investidores institucionais”, destaca Pereira. O setor também apresenta ciclos de valorização e retração, conhecidos como bull markets e bear markets.
Aquisição de criptomoedas
A compra de criptomoedas é realizada por meio de corretoras digitais, conhecidas como exchanges. Após o cadastro e a verificação de identidade, o investidor pode realizar depósitos em moeda local, geralmente via Pix ou transferência bancária, e adquirir os ativos desejados. “Para iniciantes, a recomendação é iniciar com valores reduzidos e priorizar criptomoedas mais consolidadas, como forma de familiarização com o mercado”, sugere o especialista.
Armazenamento e segurança
Os ativos digitais podem ser armazenados em carteiras digitais conectadas à internet (hot wallets) ou em dispositivos físicos (cold wallets). Um elemento central desse processo é a seed phrase, sequência de palavras que garante acesso integral aos fundos. A perda dessa informação resulta na perda definitiva dos ativos. “A segurança no mercado cripto depende, em grande medida, das práticas adotadas pelo usuário. Golpes, tentativas de phishing e promessas de retornos garantidos são recorrentes e exigem atenção constante”, alerta Pereira.
Aspectos a serem avaliados antes de investir
Antes de investir em qualquer projeto, é fundamental avaliar sua proposta, a equipe responsável, a utilidade do ativo, o histórico de desenvolvimento e o nível de transparência das informações técnicas. A orientação é evitar investimentos em produtos que não sejam plenamente compreendidos
AVO Educacional
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