Ledger divulga vulnerabilidade em carteira de criptomoedas

A Ledger, mais famosa fabricante de carteiras de hardware de criptomoedas, divulgou nesta quarta-feira (17) uma vulnerabilidade que afeta um produto de uma de suas concorrentes, o cartão da Tangem.

Em resposta ao relatório da Ledger, a Tangem afirmou que o ataque descrito não representa um risco real para os usuários. Segundo a empresa, trata-se de um experimento de laboratório que exige posse física do cartão, equipamentos especializados e meses de tentativas, o que tornaria o processo inviável fora de condições controladas.

De acordo com a Ledger, a falha foi explorada usando uma técnica chamada “tearing” (rasgamento) que, ao quebrar a sequência normal de comunicação, permite ataques de força bruta no PIN do cartão em questão.

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Como exemplo, um PIN de 4 dígitos levaria 5 dias para ser descoberto normalmente, mas o tempo cai para 1 hora após essa técnica ser colocada em prática. No caso de um PIN de 8 dígitos, o tempo cai de 143 anos para somente 460 dias.

“A avaliação da Tangem sobre o relatório da Donjon concluiu que isso não será classificado como uma vulnerabilidade. Na opinião deles, o cenário de ataque proposto não representa um risco significativo”, escreveu a Ledger.

Ledger compartilha descoberta de vulnerabilidade em carteira de empresa rival

O Donjon é uma equipe da Ledger focada em pesquisas de segurança, incluindo análises de produtos concorrentes. Como exemplo, eles revelaram no início do ano uma vulnerabilidade nas carteiras da Trezor.

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Já nesta quarta-feira (17), os especialistas divulgaram uma falha de segurança nos cartões da Tangem, também utilizados para armazenar chaves que dão acesso a criptomoedas.

Em suma, os cartões da Tangem possui um mecanismo que aumenta em 1 segundo cada tentativa de acesso, com um limite máximo de 45 segundos, quando o PIN inserido estiver errado. Isso é uma proteção contra ataques de força bruta.

Para driblar esse mecanismo de segurança, a Ledger usou uma técnica chamada de ataque de “tearing”.

“Esses ataques são bem conhecidos na comunidade de segurança de cartões contactless”, explica a Ledger

As imagens, no entanto, mostram como esses ataques são sofisticados. Ou seja, é preciso tanto conhecimento técnico quanto equipamentos especializados para obter êxito.

Cartão Tangem com a antena substituída por fios finos para medir o sinal eletromagnético do chip. Essa adaptação permite estudar como o chip processa comandos e testar possíveis vulnerabilidades de segurança. Fonte: Ledger.Cartão Tangem com a antena substituída por fios finos para medir o sinal eletromagnético do chip. Essa adaptação permite estudar como o chip processa comandos e testar possíveis vulnerabilidades de segurança. Fonte: Ledger.
Cartão Tangem com a antena substituída por fios finos para medir o sinal eletromagnético do chip. Essa adaptação permite estudar como o chip processa comandos e testar possíveis vulnerabilidades de segurança. Fonte: Ledger.

“Na imagem abaixo, é possível ver o setup geral usado para este ataque, assim como um traço eletromagnético (EM) no osciloscópio, com o “tear-off” ocorrendo no final.”

Na sequência é usado um equipamento específico para evitar o mecanismo de atraso de tentativas. Fonte: Ledger.Na sequência é usado um equipamento específico para evitar o mecanismo de atraso de tentativas. Fonte: Ledger.
Na sequência é usado um equipamento específico para evitar o mecanismo de atraso de tentativas. Fonte: Ledger.

Apesar disso, a Ledger nota que não conseguiu acessar os dados contidos no cartão, mas que descobriu uma falha de segurança logo em seguida.

“Nos deparamos com uma implementação de canal seguro. O objetivo de tal canal seguro é garantir que os dados trocados entre o smartphone e o cartão (por exemplo, a senha do cartão) não possam ser interceptados por terceiros próximos”, escreveu a Ledger. “Embora um canal seguro esteja implementado tanto no aplicativo quanto no cartão, ele nunca é ativado.”

“É lamentável que um ataque seja possível por meio de um recurso de segurança que a Tangem não está utilizando.”

A vulnerabilidade acontece quando o cartão é desligado em menos de ~6.700 microssegundos (0,0067 segundo), podendo variar até 1.000 μs dependendo do cartão e da sua temperatura.

Em uma tabela, a Ledger aponta que isso faz um ataque de força bruta diminuir o tempo para descobrir um PIN em cerca de 120 vezes, independente do seu comprimento. Ataques de dicionário diminuem ainda mais esses tempos.

Ataque diminui consideravelmente o tempo de ataque de força bruta nos cartões da Tangem. Fonte: Ledger.Ataque diminui consideravelmente o tempo de ataque de força bruta nos cartões da Tangem. Fonte: Ledger.
Ataque diminui consideravelmente o tempo de ataque de força bruta nos cartões da Tangem. Fonte: Ledger.

Finalizando, a Ledger aponta que o setup para este ataque custaria menos que US$ 5.000 (R$ 26.500), o que pode ser considerado barato dependendo do alvo, já que não precisa de um osciloscópio de ponta.

Quais as recomendações aos usuários dos cartões da Tangem?

Em conversa com a Tangem, a equipe da Ledger fez diversas recomendações para mitigar os riscos desses ataques. No entanto, a empresa nota que essas atualizações não podem ser feitas em produtos já lançados.

Portanto, as principais recomendações ficam para os usuários. Isso inclui a escolha de uma senha com:

  • Pelo menos 8 caracteres
  • Pelo menos 1 dígito, 1 letra e 1 símbolo
  • Não usar senhas fracas como “passw0rd!”

Como destacado no início desta matéria, a Tangem não acredita que a vulnerabilidade compartilhada pela Ledger apresenta um risco significativo.

Resposta da Tangem

A Tangem afirmou que a técnica apresentada danificaria o chip antes que qualquer PIN fosse descoberto, tornando a exploração autodestrutiva e, portanto, inútil para criminosos.

Além disso, lembrou que seus cartões não se limitam a PINs de quatro dígitos, mas aceitam códigos alfanuméricos com números, letras e símbolos — o que eleva exponencialmente a dificuldade de ataques de força bruta.

“Embora academicamente interessante, este método não é aplicável no mundo real. Os fundos dos usuários estão seguros, já que o ataque jamais permitiria a extração de chaves privadas”, declarou a Tangem em comunicado. A empresa reforçou ainda a recomendação de que os clientes utilizem códigos de acesso fortes e mantenham seus cartões em segurança física.



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